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domingo, 7 de março de 2010

Excalibur

Excalibur

Bernard Cornwell

Edição: 5

Editora: Record

Ano: 2004

Páginas: 529

O derradeiro volume sobre a saga do arquétipo mais famoso de herói que existe, Rei Artur. Apesar do título, esse nobre aventureiro não usa a coroa em momento algum. Mas para saber por que, só lendo – nada de spoiler.

Com o fim dessa trajetória cheia de duelos, batalhas, feitiçarias, traições, romances e atos de bravura, descobre-se com satisfação a trajetória de personagens que sempre são citados ou exemplificados pela literatura.

A narração de Derfel é incrivelmente empolgante. Por ela conhecemos com bastante intimidade o valente e idealista Artur, a ambiciosa e sedutora Guinevere, o moderno e, contraditoriamente, conservador Merlin, o covarde e notabilizado Lancelot, e muitos outros

Para mim, o fato que tira a nota máxima do livro e do fim da saga são os últimos capítulos, mas não posso revelar o motivo para não estragar a surpresa!

Mas ainda assim o livro é sensacional, e assim como os dois volumes anteriores, é indispensável para qualquer pessoa que tenha a mínima curiosidade sobre a história de Artur, até para o fã incondicional do velho clássico “Excalibur”!

Nota: 9,0

sexta-feira, 5 de março de 2010

O inimigo de Deus

O inimigo de Deus

Bernard Cornwell

Edição: 4

Editora: Record

Ano: 2004

Páginas: 513

Este é o segundo volume da saga Crônicas do Rei Artur. Continuação direta de o “Rei do Inverno”, também de Bernard Cornwell, este livro retrata a partir de fatos e descobertas arqueológicas a vida do maior de todos os heróis como um poderoso guerreiro que luta para manter unida Britânia, no século V, após a saída dos romanos.

Agora a Britânia finalmente se une e está pronta para expulsar de uma vez por todas os invasores saxões. Mas se por um lado o país está unificado politicamente, por outro a luta entre as religiões ancestrais e o cristianismo divide o povo.

Diante da propagação da nova fé, Merlin empreende uma busca pelo caldeirão sagrado - objeto mágico poderoso, capaz de trazer de volta os antigos deuses e aniquilar os saxões e os cristãos. Ao longo desta jornada, ele é acompanhado pelo protagonista, o guerreiro Derfel, em sua peregrinação por lugares distantes e perigosos, onde vivem aventuras inesquecíveis.

É uma continuação perfeita. Novos personagens, como Merlin e Lancelot surgem e se integram com uma enorme facilidade a trama já tensa. As peripécias, batalhas, jogos políticos e tradições célticas estão convincentes e muito bem representadas.

No final dessa obra, vai ser impossível você não tentar ler o volume derradeiro o mais rápido possível.

Nota: 10,0

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

O Rei do Inverno

O Rei do Inverno

Bernard Cornwell

Edição: 1

Editora: Record

Ano: 2001

Páginas: 546

O Rei do Inverno conta a mais fiel história de Rei Artur. Sem os típicos exageros míticos, mas sim baseando-se em fatos e descobertas arqueológicas, este romance genial retrata o maior de todos os heróis como um poderoso guerreiro britânico, que luta contra os saxões para manter unida a Britânia, no século V, após a saída dos romanos.

Rei Artur, que ao longo de séculos, transformou-se no maior de todos os heróis da literatura e em um dos personagens míticos mais presentes no nosso imaginário. Mas depois de muitas versões de suas aventuras, sua verdadeira história perdeu-se nas brumas do tempo. Quem foi de fato o homem Artur? Onde foi seu reino? Existiram mesmo os Cavaleiros da Távola Redonda? Em que época ele viveu? Que inimigos combateu? Para que Deus enviou suas preces? Que mulheres amou? Apaixonado desde a infância por aventuras de cavaleiros, o escritor Bernard Cornwell resolveu pesquisar a figura histórica de Artur. Baseado em descobertas arqueológicas recentes, criou esta excelente saga.

"O livro traz religião, política, traição, tudo o que mais me interessa," explica Cornwell, que usa a voz ficcional de Derfel para ilustrar a vida de Artur. Este valoroso soldado cresce dentro do exército do rei e dentro da narrativa de Corwell começando como soldado raso até se tornar o melhor amigo e conselheiro de Artur na paz e na guerra.

Não tem muito mais o que falar, o livro é perfeito. Todos os personagens são muito bem construídos e apresentados neste primeiro volume da trilogia. Garanto que ao terminar o livro, você ficará ansioso para ler o volume seguinte da saga de Artur, e conhecer os outros cavaleiros e antagonistas que vão se apresentando ao longo da trama.

OBS: Derfel é de longe um dos personagens mais carismáticos e bem construídos que já encontrei em um livro.

Nota: 10,0

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Azincourt

Azincourt

Bernard Cornwell

Edição: 1

Editora: Record

Ano: 2009

Páginas: 453

Agincourt (Azincourt, em Francês) foi uma das batalhas mais famosas já travadas, onde um exército pequeno, desprezado, doente e faminto lutou como pode contra um inimigo mais bem equipado e com a moral em alta, que o excedia em números.

Tal batalha, que é referencial estratégico até hoje, ocorreu durante a Guerra dos Cem anos. O conflito se deu após um pequeno exército inglês, trucidado e enfraquecido terrivelmente pela obstinada defesa francesa sitiada em Harfleur, decidir marchar de volta para Calais, a fim de provar que poderia desafiar o grande exército francês que estava sendo reunido para destruí-lo. O rei inglês acreditava que Deus lhe favorecia e que poderia escapar daquele exército, mas a marcha, assim como o cerco, não teve sucesso e os ingleses terminaram encurralados e forçados a lutar contra um inimigo que o excedia em seis para um.

Neste contexto, Bernard Cornwell narra à história de Nicholas Hook, um arqueiro que começa o livro se alistando na guarnição de Soissons, uma cidade cujos santos padroeiros eram São Crispim e São Crispiniano. O que aconteceu em Soissons chocou toda a cristandade, mas no ano seguinte, Hook se vê fazendo parte daquele pequeno exército encurralado em Azincourt. O livro é a história dos arqueiros que lutara em uma batalha que se tornou lendária, e mais uma vez o autor demonstra os segredos por trás desta Guerra sangrenta e atroz.

A narrativa é muito bem trançada, os personagens são muito bem construídos e há detalhes que deixam a história perfeita. Não há um defeito nesse livro, que um bom exemplo do tema onde Bernard Cornwell tem experiência e maestria.

Nota: 10,0

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Stonehenge

Stonehenge

Bernard Cornwell

Edição: 1

Editora: Record

Ano: 2008

Páginas: 504

Como explicar Stonehenge, um enigma tão complexo quanto às pirâmides do Egito? Qual era a finalidade desse círculo de pedras? Todos os anos, milhares de turistas seguem até a planície de Salisbury para tentar entender o grande mistério. Teria o monumento sido erguido como um templo e construído pelos druidas celtas? Bernard Cornwell recria a época da construção do monumento em uma emocionante disputa entre três irmãos pelo poder de sua tribo.

O autor faz sua narrativa de forma segura e fascinante, porém um pouco mais lenta que seus demais romances. Cornwell reconstrói a possível história em torno da construção do monumento, ocorrida por volta dos anos 2000 a.C, conjeturando os momentos importantes por detrás de seu surgimento, embasando-se nos poucos em fatos e pistas arqueológicas que existem. Mas ainda assim o autor, deixa claro em suas notas históricas, que ninguém realmente sabe quem ou por que Stonehenge foi construída.

A visita de um estranho a uma vila tribal inicia a trama. O viajante carregado de ouro e crente de outra divindade doa seu dinheiro para construção de um templo. Contudo, Hengall, o chefe da tribo enxerga como mau agouro a sua vinda... Os filhos do líder interpretam a vinda do estranho de diferentes formas, e o estranhamento entre os seus desejos e ambições é a força motriz do romance.

A trajetória dos três irmãos é conduzida sob a necessidade de um grande templo, um templo para trazer de volta o favor dos deuses. Uma excepcional narrativa, para quem gosta de ficção histórica, especialmente no que diz ao mundo pré-histórico. Os confrontos são descritos primorosamente, além das técnicas usadas para mover as pedras e construir os templos. Muito aconselhado a quem gosta de história e antropologia e sobre as hipóteses sobre o passado misterioso.

Sensacional! A riqueza da trama, envolvendo disputas tribais, políticas e religiosas é muito bem trançada. Apesar do intenso detalhamento que o autor faz, o que pode deixar certos momento do livro monótono, A sociedade tribal descrita pelo autor põe muito filme do gênero no chinelo!

Nota: 9,0

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

O condenado

Bernard Cornwell

Bernard Cornwell

Edição: 1

Editora: Record

Ano: 2005

Páginas: 321

Nesse excelente romance histórico, Cornwell narra um thriller intenso e cercado de mistérios. Com extremo detalhismo entramos na Inglaterra pós-Napoleão e acompanhamos a história de um dos heróis de Waterloo.

Faltando sete dias para o enforcamento do principal suspeito do assassinato de uma condessa, uma nova investigação sobre o crime é ordenada pela Rainha. Eis então que surge Rider Sandman, honradíssimo oficial inglês que retornou para casa e encontrou um país corrupto, pobre, repleto de conflitos sociais, onde o cadafalso se tornou sinônimo de justiça.

A decepção de Sandman com a terra natal aumenta quando descobre que o próprio pai se matou, deixando uma fortuna em dívidas de jogo. Apesar de ser hábil com a espada e exímio jogador de críquete, Rider luta para sustentar honestamente a mãe e a irmã e, além disso, liberar a noiva do compromisso de casamento.

Precisando de dinheiro, aceita investigar o estranho assassinato da condessa suspeita de ter sido assassinada por um pintor. Apesar dos pontos obscuros do crime, dos obstáculos que surgem e do forte preconceito da sociedade para com o acusado, que é filho da uma costureira da rainha, Sandman acredita que a verdade possa vir à tona...

Esse é um dos livros mais curtos e mais interessantes de Bernard Cornwell. Longe do seu tema preferido, as guerras e suas batalhas, o autor nos faz entrar na atmosfera negra de livro com extrema habilidade. As dificuldades de Sandman são inúmeras e inesperadas, e é com aflição que se espera o momento derradeiro do livro.

O defeito que vejo nesse livro é ser pequeno e ser histórico-policial. O autor te joga no meio de uma história tão intensa e cheia de detalhes que sem ler essa introdução detalhada (onde parece que contei o livro todo) você realmente fica perdido. A sinopse escrita acima não revela nem 10% da trama!

OBS: Esse livro (e essa nota) é atípico em relação à Bernard Cornwell! Talvez seja pela falta de batalhas...

Nota: 8,0


P.S.: Feliz Aniversário Bernard Cornwell!

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Bernard Cornwell


Como prometido publicarei sobre Bernard Cornwell essa semana.

Hoje só falarei sobre o autor, pois amanha é seu aniversário. Ao longo da semana publicarei minha resenha sobre seus livros sem continuação, e na sexta falarei do primeiro livro de sua melhor saga, Rei Arthur (Se não houver interesse ou tempo, leia logo o ultimo parágrafo e arrependa-se de não ter lido tudo quando um dia terminar de ler um de seus livros!).

Pois então, em 23 de fevereiro de 1944, durante a Segunda Guerra Mundial, nasceu em Londres Bernard Cornwell. Seus pais intensamente envolvidos no conflito (Ele aviador canadense e ela auxiliar da RAF) o entregaram a adoção.

Criado em Essex pela excêntrica família Wiggins, que eram membros da facção protestante Peculiar People – rígida seita que bania qualquer tipo de futilidade, inclusive a medicina!

Na casa de sua nova família só se podia ler a Bíblia, então Bernard cresceu lendo escondido sobre guerras e romances belicosos como os de C. S. Forester, e desde então começou os contornos de um futuro personagem das guerras napoleônicas, Richard Sharpe.

Conseguindo ingressar na universidade de Londres, fugiu de sua estranha família adotiva e adotou o nome Cornwell de sua mãe. Após se formar trabalhou como professor na própria universidade. Tentou alistar-se no exercito britânico três vezes, mas foi rejeitado por causa de sua forte miopia.

Foi então contratado pela BBC, onde ficou por 10 anos, começando como pesquisador do programa de notícias Natiowide, terminando a carreira lá como Chefe de Assuntos Televisivos

Atuais em Belfast.

Na Irlanda do Norte conheceu Judy, turista americana por quem se apaixonou e casou em 1980 e vivem juntos até hoje. Contudo, na época Judy não podia ficar na Inglaterra por questões familiares, então Bernard decidiu mudar-se para o país de sua esposa, os Estados Unidos da America.

Sem conseguir o Green Card, e com ele a autorização governamental para trabalhar, Cornwell decidiu tornar-se escritor, pois esse tipo de trabalho não precisava da permissão do governo estadunidense do norte.

Para Bernard, não houve muitas recusas para aceitação de seu livro, pois ao conhecer um agente literário britânico em festa, comentou que havia escrito um livro, e o agente disse que gostaria de ver. Uma semana depois já tinham feito um contrato para mais seis livros. Aquele agente é ainda o atual dele.

Foi neste momento nasceu Richard Sharpe, soldado inglês que vive uma série de aventuras à lá James Bond durante a era napoleônica. Esse personagem rendeu quase vinte livros (os seis primeiros do contrato eram de Sharpe) e uma série de televisão (protagonizados por Sean Bean, o Boromir do Senhor dos Anéis) muito prestigiada no Reino Unido e nos EUA.

Com vasta experiência em pesquisa, paixão por guerras e conflitos históricos e com o louco hobby de colecionar mapas antigos e pequenas bugigangas militares, Bernard facilmente tornou-se um excelente autor de romances históricos. Seus personagens fictícios permeiam e narram acontecimentos reais, como se fosse quase um filme.

Contudo Cornwell escreve poucos livros de volume único. Adora sagas onde a trama revela personagens muito bem delineados e que deixam uma saudade enorme nos últimos volumes.

Dentre suas sagas completas temos: a tetralogia ainda não traduzida, As Crônicas de Starbuck, situada durante a Guerra Civil Americana; a trilogia As Crônicas de Artur, que lida com a era Arturiana e outra trilogia, A Busca do Graal, sobre uma busca pelo Santo Graal no século XIV, num período próximo do conflito entre Inglaterra e França conhecido como Guerra dos Cem Anos.

Atualmente Bernard escreve os livros da série Crônicas Saxônicas, que se passa no século IX no reino anglo-saxão de Wessex, durante o reinado de Alfredo o Grande quando este defendeu o seu reino contra os vikings, se tornando o único monarca inglês a ser condecorado com o título de “o Grande” por seu povo.

Em junho de 2006, Cornwell recebeu o título de OIB (Oficial, Ordem do Império Britânico) na lista de honra do aniversário de 80 anos da rainha. Em 2009 esteve no Rio de Janeiro, na Bienal do Livro, para prestigiar seu mais recente livro Azincourt - que não era parte de nenhuma série. E em 1010, deve sair aqui no Brasil o quinto livro de Crônicas Saxônicas, Terra Queimada.

Atualmente vive ainda nos EUA com sua mulher em Cabo Cod, no extremo leste do estado de Massachusetts...

Bernard Cornwell é um dos mais importantes escritores britânicos da atualidade, com seus romances traduzidos para mais de 16 línguas, e com mais de quatro milhões de exemplares comercializados em todo o mundo. Conhecido pela precisão histórica e por usar de fatos reais para criar uma ficção completamente ligada à História, fatalmente seus livros viram best-seller.