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quinta-feira, 27 de maio de 2010

Na Natureza Selvagem

Na Natureza Selvagem

Jan Krakauer
Edição: 7
Editora: Companhia das Letras
Ano: 2008
Páginas: 214

Você já teve vontade de chutar o balde, largar tudo e cair no sozinho mundo? Sempre também? Pois é. Esse livro fala de pessoas que fizeram isso.

Escrito pelo louco aventureiro, alpinista e jornalista Jon Krakauer, foi primeiramente um artigo para a revista Outsider, tornando-se em seguida o livro em questão. A história foca a vida de Chris McCandless, jovem de uma família rica do leste estadunidense que abre mão do brilhante diploma e de suas economias para buscar sua verdadeira essência.

A trajetória da vida de Chris é invejável. Após mudar de nome, ele buscou se afastar da sociedade e buscou o autoconhecimento testando seus limites. Passou a ser conhecido como “Alexander Supertramp” e em sua jornada louca e sem destino pelas terras norte-americanas conheceu pessoas incríveis, visitou lugares fantásticos, e venceu seus medos e traumas, sempre acompanhado por uma "pequena pilha" de livros.

Jon Krakauer refaz os percursos de Chris de forma bem emocionante, contando ainda historias de outros aventureiros solitários que desbravaram as partes mais inóspitas da America setentrional. O autor ainda conta uma façanha sua, conseguindo incluir-se no rol daqueles que viveram à margem da sociedade por a desprezar, pegando carona, circulando em carros velhos ou indo à pé mesmo, para viver em acampamentos, cidades-fantasmas ou na natureza selvagem.

A narrativa é envolvente, apesar dos momentos amargos onde o autor explora erros bobos que foram fatais. No fim, vemos como poder ser alto o preço da busca pelo autoconhecimento convivendo e contando somente com si mesmo.

Se você não viu o filme e não quer ler este livro, pare tudo e vá assistir agora!

O filme é sensacional e conta de uma maneira única a vida de Chris – e, como sempre, inevitavelmente corta muita coisa. Dirigido por Sean Penn e interpretado por Emile Hirscho, considero essa adaptação  perfeita. A fotografia é linda, a trilha sonora é fantástica – inclusive, é o primeiro álbum solo de Eddie Vedder – e o roteiro é excelente. Imperdível!

Era Chris um aventureiro heróico ou um idealista ingênuo? Um rapaz que arriscou tudo ou um trágico garoto que respondeu como pode a uma sociedade extremamente doente? Um jovem americano perdido ou um Thoreau rebelde dos anos 1990?

Para mim, Chris buscou as respostas em si mesmo e por si mesmo, para tentar desvendar o caminho que queria trilhar e encontrar o seu lugar no mundo. Agiu como achou correto, tentou ser fiel aos seus princípios e a si mesmo... Mas eu paro por aqui, pois não quero escrever nenhum spoiler.

Só sei que amo esse livro e esse filme. Os dois fazem com que você sinta aquela vontade louca de cair na estrada...


quarta-feira, 14 de abril de 2010

Uma breve história do mundo

Uma Breve História do mundo


Geoffrey Blainey
Edição: 2
Editora: Editora Fundamento
Ano: 2007
Páginas: 344

A história da civilização é uma saga cheia de altos e baixos, e ainda assim fantástica. Esse livro foi escrito embasado em consagrados estudos acadêmicos e com trechos que deixam os curiosos levemente saciados!

Geoffrey Blainey é um dos historiadores mais bam bams da atualidade. Com respeitáveis 80 anos e mais de 30 livros publicados, ele se especializou em praticamente todos os ramos da história. Mas infelizmente no Brasil só traduziram e publicaram “Uma breve história do mundo” e “Uma breve história do século XX”.

No livro em questão, o autor explica a história de maneira sucinta e objetiva (quase um “fast-food” informativo), e vai além, descrevendo a geografia de locais onde civilizações floresceram e sucumbiram, sem deixar de fazer uma breve analise sobre o legado que deixaram. A história como um todo e as relações entre diversos povos são analisadas de forma célere e didática, sem ser catedrático o suficiente para dar dores de cabeça aos leigos, e nem vãs o bastante fazer um expert atirar o livro pela janela.

Os fatos e suas conseqüências são bem ligados fazendo o leitor praticamente caminhar passo a passo pela história. Lógico que muita coisa ficou de fora, mas o que mais me decepcionou foi à falta de ilustrações e floreios que talvez favorecessem uma melhor absorção do mínimo que se deve saber sobre uma breve história do mundo!

Nota 7,0


Ps: uma breve ilustração que floreia o suficiente uma breve história da civilização:

terça-feira, 6 de abril de 2010

Coleção História das Cruzadas (3 volumes)

Coleção História das Cruzadas

Steven Runciman
Editora Imago

Eu nunca soube muito sobre Cruzadas. Acreditava ter sido um conflito religioso escroto, em que os europeus saíram invadindo o Oriente Médio para reclamar locais santos e pronto.

Quando vi a promoção dessa trilogia na Submarino, comprei correndo. Apesar do susto com as quase 400 páginas de cada volume, aprendi que as Cruzadas foram muito mais do que um simples conflito religioso.

Valeu à pena ler.  A coleção relata tudo sobre as nove Cruzadas (além das semi-cruzadas entre elas), e o autor se baseia em fontes européias, bizantinas, judias, armênias e árabes.

O escritor, Sir James Cochran Stevenson Runciman, que morreu em 2000 com 97 anos, foi um historiador inglês especializado e conceituado na área de Idade Média e Cruzadas.

Nascido em uma família de magnatas do ramo de transportes marítimos, com membros no parlamento britânico, diz-se que já lia em latim e grego desde os cinco anos de idade.

Amigo de George Orwell e colega de Aldous Huxley, Steven Runciman foi ainda discípulo do grande historiador J. B. Bury. Para realizar suas pesquisas históricas de forma completa passou a dominar um número incrível de línguas, como árabe, turco, persa, hebraico, siríaco, armênio, georgiano, etc.

Aos 35 anos, Steven recebeu uma enorme herança de seu avô e decidiu abrir mão de tudo para viajar pelo mundo.

Instalou-se na Turquia e passou a lecionar Arte e História Bizantina na Universidade de Istambul. Lá começou sua pesquisa sobre as Cruzadas, que originou sua obra mais conhecida, História das Cruzadas, publicada em três volumes em 1951, 52 e 54.

Apesar de ter sido um inglês conservador e excêntrico, Steven Runciman não era um típico historiador catedrático. Conhecido por ser espirituoso e dono de um enorme senso de humor, fez amigos em todas as camadas sociais nos mais diferentes países em que esteve. Um amigo disse que em sua vida ilustre, "tocou duetos de piano com o último imperador da China, leu cartas de tarô para o rei Fuad do Egito, quase morreu no bombardeio feito pelos alemães ao Hotel Pera Palace, em Istambul, e obteve por duas vezes o jackpot nos caça-níqueis de Las Vegas".

Praticamente um Indiana Jones!


História das Cruzadas - Vol. 1
Ano: 2002
Edição: 1
Número de páginas: 344
Trata da história da primeira Cruzada desde suas origens, no século XI, até seu declínio, no século XIV. Enquanto a Europa encarava as expedições com romantismo e idealismo, o Oriente Médio sofreu com  violentas invasões bárbaras.


História das Cruzadas - Vol. 2
Ano: 2002
Edição: 1
Número de páginas: 456
No segundo volume, Steven Runciman apresenta toda a história e a descrição completa do reino de Jerusalém, e suas relações com os povos do Oriente Próximo. Narra-se ainda a segunda e a terceira Cruzadas, que ocorreram no século XII e terminaram tragicamente.


História das Cruzadas - Vol. 3
Ano: 2003
Edição: 1
Número de páginas: 467
No derradeiro volume, aborda-se a história do reino de Acre e das últimas Cruzadas, além da violenta expulsão definitiva dos europeus e suas ordens, do Oriente Médio.

Nota: 9,0

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Cinco casos

Cinco Casos

Michael Crichton

Edição: 1

Editora: Rocco

Ano: 2000

Páginas: 192

Michael Crichton ganhou, em 1970, o prêmio de escritor médico do ano com esta obra, a única de não-ficção traduzida. Em 1994 atualizou a obra, inserindo comentários. A partir da análise de cinco casos clínicos, o autor critica a postura médica americana, que dá mais valor à tecnologia, do que a prevenção e o bem-estar dos doentes. Um exame ainda atual das instituições e da assistência médica nos Estados Unidos, apesar de ter sido escrito na década de 60.

A breve contextualização da história da medicina até a época em que escreveu o livro ajuda a entender a situação crítica que os as políticas e preços dos planos de saúde, aliados com a cultura e as práticas dos hospitais são um problema que cresce exponencialmente em todos os países. Se já estava ruim naquela época, hoje em dia então...

É um bom livro, bem crítico em relação à medicina, mas acho que apesar da revisão, ainda há certa desatualização. E apesar de já ter lido quase tudo do autor, tom de dono da verdade, juntamente com o distanciamento quase divino que ele, como médico, tem de seus pacientes, me levou a nota que achei que ele mereceu.

Nota: 7,0


terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

História das Guerras

História das Guerras

Demétrio Magnoli


Edição: 2
Editora: Contexto
Ano: 2008
Páginas: 479


Algumas guerras definitivamente mudaram o curso da História. Este livro, organizado por historiadores, sociólogos, geógrafos e jornalistas brasileiros, dá conta de quinze momentos-chave em que as armas substituíram a política e decidiram o futuro da humanidade. Textos elucidativos, cuidadosamente pesquisados e escritos com clareza fazem deste livro leitura obrigatória, obra de referência na área. O livro analisa origens, estratégias, táticas e contradições de 15 das mais importantes guerras que assolaram o mundo nos últimos 2.500 anos.

As guerras não são algo novo na história da humanidade. O armamento, a motivação, a estratégia, os objetivos têm mudado muito, mas elas existem há milhares de anos. O que elas têm em comum é o fato de terem promovido mudanças fundamentais na trajetória da humanidade.

História das Guerras, coordenado por Demétrio Magnoli a pedido da Editora Contexto, não fica nas conseqüências, mas investiga origens, estratégias, táticas e até contradições de 15 dos mais importantes conflitos da história. Os capítulos foram atribuídos a especialistas e encontram-se em ordem cronológica após o ensaio introdutório do organizador, “No espelho da guerra”. Entre os autores, escolhidos meticulosamente, com base nas suas qualificações, alguns são historiadores (Pedro Paulo Funari, José Rivair Macedo, Francisco Doratioto, Renata Senna Garraffoni, Marco Mondaini, Elaine Senise Barbosa, Henrique Carneiro, Antonio Pedro Tota e Fátima Regina Fernandes), outros, especialistas em História Militar (almirante Armando Vidigal e o coronel Luiz de Alencar Araripe), dois deles (André Martin e Demétrio Magnoli) especialistas em Geografia Política e dois são jornalistas com larga experiência em coberturas e análises da área internacional (William Waack e Cláudio Camargo).

Os textos são o fruto de um processo de crítica e revisão que, acolhendo a diversidade de pontos de vista teóricos e reconhecendo as particularidades dos objetos de investigação, conferiu uma unidade básica à narrativa. Sob a diversidade de experiências profissionais e acadêmicas dos autores, oculta-se uma convicção comum: rigor não significa hermetismo. Os capítulos oferecem leituras das grandes guerras da história pontuadas pelos seus contextos sociais e culturais. Eles evidenciam as dimensões estratégicas e militares dos conflitos que abordam. Além de serem escritos em linguagem clara, acessível e direta, os ensaios são acompanhados por mapas históricos que representam a grande estratégia da guerra e suas batalhas decisivas. Dessa maneira, o leitor é levado ao campo de batalha ao lado dos protagonistas dos grandes embates.

Cada um dos capítulos de História das guerras expressa a pesquisa mais recente, a bibliografia mais atualizada sobre o fenômeno histórico no qual se debruça. E todos eles representam um “olhar brasileiro” da história mundial. Assim, os autores podem, quase sempre, tomar uma saudável distância crítica das correntes nacionais de interpretação que, na França, na Alemanha, na Rússia ou nos Estados Unidos, que sempre debatem em torno de feridas profundas do seu próprio passado. Ao mesmo tempo, o Brasil está presente, como ator secundário das grandes Guerras Mundiais do século XX ou como ator decisivo da Guerra do Paraguai.

Li correndo este livro, devido à empolgação e ansiedade de saciar minha curiosidade com certos conflitos. Sei que tenho que re-ler o livro, mas tenho certeza que vou dar a nota máxima mais uma vez, porque este é um livro fácil de ler, delicioso e bem sucinto, apesar da diferente análise feita por cada especialista e pelo tema extenso, e certas vezes controverso.

OBS: Imperdível!

Nota: 10,0