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segunda-feira, 22 de novembro de 2010

O mundo após o centésimo

(Voltando como se não tivesse parado...)





A muito tempo atrás, quando ainda achava o programa do Jô legal, ele disse em um programa que lia 100 livros por ano. Assisti outros intelectuais dizendo que sempre liam 100 livros por ano. Aquilo virou um marco pra mim! Naquela época lia uns 30 ou 40 por ano, ler pelo menos 50 ainda era um sonho...

Pois é. Agora, em novembro de 2010 eu já li 112 livros... Não vi chuvas de champanhe, pombas se suicidando ou virgens se auto-deflorando. Nenhuma comemoração... Só ocorreu a tragédia da monografia, mas no momento quase tudo já esta resolvido.

Os invejosos e abibliófilos, que dedicam mais tempo a outras coisas, podem me chamar de vagabundo, fútil ou imprestável. Eu não acredito que seja (tanto assim). Até porque mais de 20% desses livros eram jurídicos. E além do mais, a leitura sempre foi um dos meus maiores hobbies.

Pois é, e eis que aos 25 anos de idade consegui ler 100 livros em um ano. Muito do que li foi bastante construtivo, mas também teve muita porcaria. E definitivamente absorvo muito mais o que eu leio por prazer do que por obrigação.

Estranho, pois apesar de tudo só ficou uma sensação de vazio... Será que com 200 acaba?


segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Glosando a vida

Yeah, tempos de estudo!

Nessas horas sempre me dou conta de que se ao pegar um livro de mandado de segurança para ler sentisse tanto prazer quanto quando eu devoro um romance do Rubem Fonseca já estaria no caminho dos catedráticos e doutrinadores do direito!

É, mas cobras não têm asas, morcegos não enxergam bem, lagartos não andam no gelado e o Daniel não tem saco com livros jurídicos. Demoro anos para ler e absorver aqueles calhamaços recheados de termos jurídicos e “gírias” latinas.


Se fosse o inverso já estaria feito e não iria precisar glosar no meu Vade Mecum sempre antes das provas... (GLOSAR, ô mente poluída! Pega o dicionário e procura!)

Sim, eu colo!

Colo e passo cola desde antes da faculdade. Para mim colar nunca foi uma arma, mas sim uma garantia.  Dá aquela segurança para tirar a nota mínima, a precaução para não deixar de esquecer alguma observação naquele resumo microscópico e ainda serve para comparar com os “apontamentos” do amigo.

E no direito é impossível não colar... Além da ardilosidade típica de qualquer aluno universitário, os códigos e suas milhares de páginas com letrinhas minúsculas facilitam o “arquivamento” de “resumos”.

Mas o pior é que no direito todo mundo cola! Mas todo mundo mesmo!



Desde o mais nerd até o mais vagabundo... A cola é um pré-requisito no direito. Por dois simples motivos:
1 – Se você não colar, sua nota vai ficar pior na média, porque todos estão colando!
2 – Geralmente você encontrará professores loucos que cobraram notas de rodapé, por isso é recomendável que você leve a sua própria “nota de rodapé”!

Eu poderia falar muito mais sobre esse assunto, mais já fugi demais do tema do blog! Só postei isso para explicar minha ausência e para terminar com essa foto exemplifica como se chega ao fim da faculdade de direito:



Ahhh, e quarta eu volto com as resenhas!



quinta-feira, 8 de julho de 2010

O Clube do Filme

O Clube do Filme



David Gilmour
Edição: 1
Editora: Intrínseca
Ano: 2009
Páginas: 240

O que me atraiu nesse livro? Provavelmente o fato de ser um romance que falava sobre filmes. Ganhei ele numa falcatrua que fiz em um amigo oculto no estágio, onde roubei o presente de mim mesmo! :p

Demorei um pouco para começar a ler por causa do meu preconceito com best-sellers. E me surpreendi quando li e encontrei um livro que narrava muito bem a relação entre um pai bem doidão e liberal e seu um filho problemático que não queria estudar.

O pai então fala pro filho abandonar a escola se quiser, mas caso o fizesse teria que assistir três filmes por semana com ele – que era crítico de cinema.

É ai que o livro fica bom, pois as dicas e críticas feitas aos filmes são sensacionais – dá vontade de você sentar na sala com eles e escutar essa “aula”. E é impossível um homem ler esse livro e não se identificar um pouquinho com os problemas pelos amorosos de Jesse...

Se você curte filmes tente ler esse livro que é pequeno, instrutivo e recheado de boas dicas de filmes (e até de relacionamento e educação familiar – caso você seja excêntrico).


quinta-feira, 27 de maio de 2010

Na Natureza Selvagem

Na Natureza Selvagem

Jan Krakauer
Edição: 7
Editora: Companhia das Letras
Ano: 2008
Páginas: 214

Você já teve vontade de chutar o balde, largar tudo e cair no sozinho mundo? Sempre também? Pois é. Esse livro fala de pessoas que fizeram isso.

Escrito pelo louco aventureiro, alpinista e jornalista Jon Krakauer, foi primeiramente um artigo para a revista Outsider, tornando-se em seguida o livro em questão. A história foca a vida de Chris McCandless, jovem de uma família rica do leste estadunidense que abre mão do brilhante diploma e de suas economias para buscar sua verdadeira essência.

A trajetória da vida de Chris é invejável. Após mudar de nome, ele buscou se afastar da sociedade e buscou o autoconhecimento testando seus limites. Passou a ser conhecido como “Alexander Supertramp” e em sua jornada louca e sem destino pelas terras norte-americanas conheceu pessoas incríveis, visitou lugares fantásticos, e venceu seus medos e traumas, sempre acompanhado por uma "pequena pilha" de livros.

Jon Krakauer refaz os percursos de Chris de forma bem emocionante, contando ainda historias de outros aventureiros solitários que desbravaram as partes mais inóspitas da America setentrional. O autor ainda conta uma façanha sua, conseguindo incluir-se no rol daqueles que viveram à margem da sociedade por a desprezar, pegando carona, circulando em carros velhos ou indo à pé mesmo, para viver em acampamentos, cidades-fantasmas ou na natureza selvagem.

A narrativa é envolvente, apesar dos momentos amargos onde o autor explora erros bobos que foram fatais. No fim, vemos como poder ser alto o preço da busca pelo autoconhecimento convivendo e contando somente com si mesmo.

Se você não viu o filme e não quer ler este livro, pare tudo e vá assistir agora!

O filme é sensacional e conta de uma maneira única a vida de Chris – e, como sempre, inevitavelmente corta muita coisa. Dirigido por Sean Penn e interpretado por Emile Hirscho, considero essa adaptação  perfeita. A fotografia é linda, a trilha sonora é fantástica – inclusive, é o primeiro álbum solo de Eddie Vedder – e o roteiro é excelente. Imperdível!

Era Chris um aventureiro heróico ou um idealista ingênuo? Um rapaz que arriscou tudo ou um trágico garoto que respondeu como pode a uma sociedade extremamente doente? Um jovem americano perdido ou um Thoreau rebelde dos anos 1990?

Para mim, Chris buscou as respostas em si mesmo e por si mesmo, para tentar desvendar o caminho que queria trilhar e encontrar o seu lugar no mundo. Agiu como achou correto, tentou ser fiel aos seus princípios e a si mesmo... Mas eu paro por aqui, pois não quero escrever nenhum spoiler.

Só sei que amo esse livro e esse filme. Os dois fazem com que você sinta aquela vontade louca de cair na estrada...


segunda-feira, 3 de maio de 2010

Guias para mochilar na América do Sul


Amanhã faz um ano e dois meses que voltei do mochilão (Para quem não sabe, ou esqueceu, eu viajei por quase dois meses com meu primo e duas amigas pela Bolívia, Peru, Chile e Argentina).

Como eu não atualizo faz tempo, vou publicar aqui uma dobradinha de “guias para mochileiros na América do Sul”.



O Guia do Mochileiro: Um roteiro pela Bolívia e Peru


Alice Watson
Edição: 1
Editora: Editora Senac
Ano: 2009
Páginas: 335

Um dia, logo no início desse ano, eu estava na submarino.com procurando as novas versões do “Guia do Mochileiro das Galáxias” e por acaso esbarrei nesse livro. Foi cobiça à primeira vista!

Com vários lemas que também me motivaram (como "Prefiro o peso de uma mochila nas costas, do que o da consciência de não ter conhecido o mundo") e influenciada por filmes que também me influenciaram, Alice, uma simpática estudante de jornalismo, escreveu este relato/guia de sua viagem para o Peru e a Bolívia.

Esse pequeno e “largo” guia é escrito de maneira leve e traz informações muito boas sobre os dois países. Os relatos da jovem autora são sensacionais. A maneira romanceada dá um charme ao livro (Você fica com aquela sensação de estar lendo do diário alheio...)! E as fotos de viagem da Alice são espetaculares. Enquanto lia, fiquei com bastante saudade da minha viagem.

É um ótimo incentivo para quem quer mochilar, e está recheado de dicas (principalmente as meninas). As informações ou curiosidades que senti falta foram poucas e irrelevantes. É uma leitura rápida, fácil e obrigatória para um futuro mochileiro.



Guia Criativo para O Viajante Independente na América do Sul

Zizo Asnis e Os Viajantes
Edição: 5
Editora: O Viajante - Trilhos & Montanhas
Ano: 2008
Páginas: 696

Sim, eu li esse calhamaço antes de viajar! E todos os brasileiros que encontrei pela viagem também carregavam essa “Bíblia”.

Com informações bem completas, mas nem sempre atualizadas, este guia é bem técnico e ótimo para esquematizar uma viagem para um dos países que estão nele (Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Guiana, Guiana Francesa, Paraguai, Peru, Suriname, Uruguai e Venezuela).

As marcações são bem visíveis e possui mapas extremamente úteis dos 12 países e de 52 cidades principais. Têm ainda 12 páginas com um mapa do continente sul-americano para ajudar no planejamento da viagem. Há também muitas informações úteis, sobre: segurança dos locais, hospedagens, câmbio, como circular nas cidades, onde comer e beber, etc.

Você ainda vai encontrar história, geografia, economia e cultura do continente e seus países, além de dicas de filmes, livros e músicas para te deixarem no clima da viagem.

E ainda dá para rir um pouco com o minidicionário espanhol e antecipar “Barbadas & Roubadas” que terão a presença certa na viagem!

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

A Arte da Guerra

A Arte da Guerra - Métodos Militares

Sun Tzu & Sun Pin

Edição: 1

Editora: WMF Martins Fontes

Ano: 2002

Páginas: 354

"A Arte da Guerra", de Sun Tzu, escrito no século IV a. C., é um dos mais sábios e importantes tratados de estratégia militar. O texto aplica-se à competição e ao conflito em geral e em todos os possíveis níveis. Sua meta é a invencibilidade, a vitória sem luta. O tratado é composto por treze capítulos, onde em cada um aborda um aspecto da estratégia de guerra, de modo a compor um panorama onde todos os eventos e estratégias que devem ser abordados em um confronto racional. Tal livro foi usado por grande estrategistas militares ao longo da história, como Napoleão, Mao Tse Tung, Erwin Rommel, etc.

A Arte da Guerra foi traduzida do original somente em para o português 1995. Apesar da antiguidade do alfarrábio, nenhuma obra ou tratado é tão compreensível e atual. Com seu caráter sentencioso, Sun Tzu forja a figura de um general cujas qualidades são o segredo, a dissimulação e a surpresa, aliados com os princípios do taoísmo.

”Métodos Militares” também do século IV a.C., foi escrita por de Sun Bin, que é considerado por alguns historiadores como pseudônimo do próprio Sun Tzu, e por outros como o bisneto deste. Registros históricos descrevem este militar como brilhante desde novo e um grande estudioso da obra de seu avô. Este estrategista se consagrou logo após ser mutilado devido a uma denuncia de espionagem, passando desde então a antever precisamente as estratégias de seus inimigos. Mas seu livro é mais uma análise de A Arte da Guerra, com uma amplitude estendida, do que algo realmente inovador.

As duas obras são muito boas, dão boas noções sobre competição e enfrentamentos. Contudo, creio que faltam adornos com os princípios do taoísmo e com o contexto histórico da época, pois certas vezes os autores se comunicam por meio de símbolos e parábolas que me deixaram boiando...

Nota: 6,0