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terça-feira, 8 de junho de 2010

Lolita

Lolita



Vladimir Nabokov
Edição: 1
Editora: Companhia de Bolso
Ano: 2007
Páginas: 369


Depois de muito tempo intimidado pelo tamanho do alfarrábio e suas letrinhas, consegui ler esse ano Lolita! Escrito pelo russo Vladimir Nabokov e publicado em 1955, o livro ficou famoso por ter sido um dos mais polêmicos já publicados – foi rejeitado por diversas editoras.

O romance é narrado pelo protagonista Humbert Humbert, professor de poesia com grandes traumas psicológicos, que se apaixona por Dolores Haze, sua enteada de doze anos. Ao menos o professor conta com algum bom senso ao se definir como pervertido e ao lidar com os dilemas morais de seus desejos.

Se você acha a historia de um maluco tarado deve ser escrota, prepare-se porque esse é um dos livros com foco narrativo mais diferente e interessante que você irá encontrar.

Desde o início o livro surpreende - sua introdução é sensacional. A primeira parte da obra parece um filme europeu Cult psico-erótico; em seguida transforma-se em um drama suburbano estadunidense; logo depois torna-se um estilo de Road Movie, com uma viagem de carro interminável; aí vem uma parte de mistério com um quê de Agatha + Hitchcock; e por fim vira um clássico drama policial de filme B.

Sacaram como tem uma mistura de estilos cinematográficos? Pois é, apesar de criticas e preconceitos, o que veio depois desse velho livro foi progresso...

Falando em cinema, existem duas versões cinematográficas do romance, a primeira de 1962 de Stanley Kubrick; e a outra de 1997 dirigida por Adrian Lyne. Nunca vi mais do que 5 minutos da antiga e a mais nova "vi" em algum corujão e estava bebendo e conversando com amigos... Ou seja, nunca vi e não sei nada sobre as duas. Dizem que ambas são boas. Veremos...

Se possível, coloque o asco e o preconceito de lado e caia dentro desse interessante e denso livro. A pedofilia é o tema secundário, a paixão doentia do adulto pela menina e seus desdobramentos que são a verdadeira trama.


P.S.: Poderia falar de várias curiosidades sobre o livro, como a música do The Police que homenageia a obra, ou às mais de 100 capas (interessantes, bizarras e diferentes) que existe só para este livro, mas a falta de tempo e paciência me fizeram ser breve e só falar de uma: de tanto repetir, o autor fez surgir duas gírias de natureza sexual com o livro, lolita e ninfeta, ambas referem-se à meninas menores de idade ou adolescentes que são sexualmente atraentes e/ou precoces.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Doutor Jivago

Doutor Jivago

Boris Pasternak

Edição: 2

Editora: Edições Bestbolso

Ano: 2008

Páginas: 756

Tradutor: Zoia Prestes, Marco Lucchesi

Logo no inicio do livro, há um histórico que conta como os originais de 'Doutor Jivago' foram contrabandeados para a Itália e publicados em 1957 pelo editor milanês Giangiacomo Feltrinelli, integrante do Partido Comunista Italiano. O sucesso foi tão grande que, em 1965, a historia foi para as telas de cinema, dirigido por David Lean, e com Omar Sharif no papel principal.

Seguindo a tradição dos grandiloqüentes romances de Tolstoi e Dostoievski, Boris Pasternak recriou parte da história moderna da Rússia, focalizando seu povo, através da história do médico e poeta Iúri Jivago. A obra trata da impossibilidade da realização pessoal diante de um estado totalitário em formação. A conturbada relação de Lara e Jivago, tendo a Revolução Russa como um dos principais personagens, legou ao mundo um dos mais belos e cativantes temas de amor da história do cinema.

Reconhecido mundialmente, Jivago firmou-se como um dos grandes heróis trágicos da literatura russa. A personagem nascida no regime czarista, criada durante a Primeira Guerra Mundial, incapaz de controlar seu destino durante a revolução e da guerra civil entre o exército branco e o vermelho, conquista facilmente os leitores

O defeito grave no livro é a quantidade de nomes que cada personagem tem (no mínimo cada um tem dois). E como tem muitos personagens e todos com o nome em russo, essa falha estrutural causa confusão, a não ser que você leia o livro com um bloco de notas para anotar cada nome e apelido dos diversos personagens que aparecerão!

OBS: O livro foi traduzido diretamente do russo por Marco Lucchesi e Zoia Prestes. Ela é filha de Luis Carlos Preste, estudiosa brasileira com sólida formação em Moscou e autora de várias importantes traduções. E ele um escritor, poeta, ensaísta e tradutor brasileiro.

Nota: 8,0.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

A queda

A queda

Albert Camus

Edição: 1

Editora: Bestbolso

Ano: 2007

Páginas: 111

O narrador, Jean-Baptiste Clamance, autodenominado como "juiz-penitente" faz uma denúncia da natureza humana misturada a um penoso processo de autocrítica. Este advogado decaído e bebum em um boteco desclassificado de Amsterdam , conversa com um interlocutor que o leitor nunca saberá quem é.

No livro, estamos diante de uma daquelas noites, em que os bares tardam em fechar e acolhem insones e estropiados. O narrador então passa a contar uma historia já está cristalizada, da qual participamos como “voyeurs” impotentes, fascinados e indignados, querendo não aceitar o que Clamance diz.

Esse advogado, que defendia os ricos parisienses, passa a “usar da palavra” para, num primeiro momento, revelar que durante um bom período da vida foi (ou achou ser) um indivíduo de grande sucesso. Ocorre que certa noite, quando retornava à sua casa, vê um incidente – que não vou contar – no qual por sua omissão, o foco da narrativa muda. O “santo homem”, até então descrito, muda sua confissão, mostrando a imagem de um crápula que no fundo sempre teria sido prepotente, hedonista, perdulário, egoísta e cínico.

As passagens de humilhação por que passa o personagem em sua via-crúcis de degradação são dramáticas e ao mesmo tempo irônicas, com um linguajar coloquial e denso.

Na época em que li este livro, não tive muita paciência de lê-lo com calma e com atenção suficiente. Acabei achando pedante, talvez por ser um longo monólogo, ou então por não ter divisão de capítulos, ou ainda por estar muito verde para ler uma obra existencialista.

Lembro de bons insights, mas não gostei muito do livro

Ainda vou relê-lo, e apesar de provavelmente não merecer, por enquanto a nota é essa...

Nota: 4,0

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

A Pérola


A Pérola

John Steinbeck

Edição: 1

Editora: Bestbolso

Ano: 2007

Páginas: 112

A Pérola, romance de 1945, escrito pelo estadunidense do norte John Steinbeck, autor que foi consagrado por retratar o verdadeiro “real american way of life”. A história é uma parábola sobre o índio mexicano Kino que encontra uma pérola gigante que só lhe traz infortúnios.

Kino busca a jóia para salvar seu filho, acontece que ao conseguir a pérola, a pérola do mundo, a maior jamais vista, tal "presente" passa a trazer a Kino não a paz e a alegria, mas sim o mal e a tristeza.

A clareza da escrita do autor, aliada a intensidade da trama, facilita e torna rápida a leitura de um livro já relativamente curto. Contudo, a história forte e crítica, ao expor a crueldade do homem para saciar sua ambição, torna esse livro um essencial.

Nota: 9,0



segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Crime e Castigo

Crime e Castigo

Fiódor Dostoiévski

Edição: 1

Editora: Nova Cultural

Ano: 2002

Páginas: 510

Publicado em 1866, Crime e Castigo é, junto com Os Irmãos Karamazov, a obra mais célebre de Fiódor Dostoiévski. Neste livro, Raskólnikov, um jovem estudante, pobre e desesperado, perambula pelas ruas de São Petesburgo até cometer um crime que tentará justificar por uma teoria: grandes homens, como César e Napoleão, foram assassinos absolvidos pela História. Este ato desencadeia uma narrativa labiríntica que arrasta o leitor por becos, tabernas e pequenos cômodos, com personagens que lutam para preservar sua dignidade contra as várias formas da opressão.

Sempre acreditei que o tempo do mundo é diferente do tempo da leitura. Lá fora a velocidade é gritante, massacrante, sem profundidade, estéril, cobrando da vida das pessoas uma ação imediatista, sem meditação. Aqui, dentro do livro, é o oposto: o tempo se faz profundo, lento, silencioso e arrebatado pelo risco iminente. A linguagem não se congela e o pensamento transborda num rumor infinitamente inusitado; por vezes, tomado por alegrias que explodem com vibrantes luzes multicoloridas, outras vezes, enlameado por sentimentos que são tão densos como o temor da morte.

O drama deste livro se desenvolve agora em cima da culpa que Raskolnikov sente pelo assassinato, com debates internos sobre racionalizações e tentativas de justificar para si mesmo que aquilo foi uma coisa normal. Até que em arroubos de culpa se entrega a um investigador que há muito desconfiava do estudante, justamente por seu comportamento, que transparecia remorso e culpa. Raskolnikov, enfim é condenado e o romance termina com a sua chegada aos campos de prisioneiros da Sibéria onde iria cumprir a pena sentenciada pela sociedade e acalmaria sua consciência, que não lhe dava nem mais um minuto de paz. O livro é considerado como um dos pilares para os estudos da psicanálise, em conjunto com outras obras do mesmo autor.

Ao contrário do que muita gente gosta de dizer, os livros, ou a arte em geral, nem sempre nos humanizam ou nos sensibilizam para o nosso bem ou para o bem da humanidade. Pois, como alguns livros despertam nossa sensibilidade para os sentimentos profundos da alegria, do amor ou para a poesia da existência, outros livros oferecem o perigo de nos tornar mais frios, mais sofríveis, mais melancólicos, mais destrutíveis. Um exemplo dessa negatividade é o Werther de Goethe que produziu uma onda de suicídios!

Demorei quase um mês para ler este denso livro. Certas partes eu li mais rápido do que eu podia e menos atento do que devia. Mas ainda assim ele marcou. E o que Crime e Castigo, o que foi para mim? Foi submeter minha alma às influências mais estranhas e sombrias... Pela auto-reflexão vemos o orgulho dobrar-se sobre a depressão e angustia a um nível único.

Ainda assim vale a pena ler. Só diminuí a nota devido aos momentos prolixos e melancólicos do alfarrábio!

OBS: Leiam quando estiverem de bem com a vida!

Nota: 7,0