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sexta-feira, 9 de julho de 2010

O Caso Morel

O Caso Morel



Rubem Fonseca
Edição: 1
Editora: Companhia das Letras
Ano: 2002
Páginas: 168

Este é o primeiro romance de Rubem. Foi lançado em 1973, no auge da nossa ditadura militar. A história nos traz o embate entre Paul Morel, um excêntrico artista de vanguarda, e o ex-delegado e escritor em crise Vilela (que protagonizou o último conto de “A coleira do cão”).

Morel está preso e é de sua cela ele narra e discute suas histórias com o rabugento Vilela.  Há uma evolução no estilo de Rubem, pois ele demonstra como entende de psicopatologia e como é hábil em explorar reflexões sobre a arte, em especial a literatura. Não preciso dizer que mais uma vez a violência urbana e o sexo estão o tempo todo no livro, preciso?

Até hoje este é considerado um dos melhores livros do autor. A personagem carismática de Morel conquista a todos, assim como a obstinação de Vilela em solucionar o mistério da trama. Pequeno e com a história envolvente, é impossível não ler esse livro de um fôlego só.


quinta-feira, 10 de junho de 2010

A coleira do cão

A coleira do cão

Rubem Fonseca
Edição: 1
Editora: Agir
Ano: 2010
Páginas: 256

Essa coletânea de contos é o segundo livro de Rubem Fonseca. No primeiro, “Os Prisioneiros”, o autor conta historias de personagens que são prisioneiros de si mesmo. Neste, os personagens são como o cão do poema do início do livro: “com grande esforço arranca-se da cadeia e foge. Mas preso à coleira, vai arrastando um bom pedaço da corrente”.

Apesar de o livro ter só oito contos, Rubem sublinha sua maestria ao principiar o alfarrábio com a continuação da história do halterofilista de “Os Prisioneiros” (que também está presente em um dos contos de "Lucia MacCartney"). E ainda vale citar que o último conto é protagonizado pelo delegado de policia Vilela, um dos protagonistas do romance do livro “O Caso Morel”. (Adoro essa conexão de personagens e histórias!)

A violência e a sexualidade – muito presentes nas obras do autor - são abrandadas nesse livro para destacar os conflitos psicológicos dos personagens. Quase todos os protagonistas conquistaram alguma liberdade, mas se veêm confusos justamente por se acharem “com a coleira ainda presa ao pescoço, mas arrastando a corrente”, e ao mesmo tempo se ressentirem da ausência do “dono”.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

A Grande Arte

A Grande Arte

Rubem Fonseca
Edição: 1
Editora: Companhia das Letras
Ano: 2008
Páginas: 341

Romance e best-seller de 1983, foi o primeiro tendo como o protagonista (e pseudo narrador) o advogado Mandrake.

Tudo começa com uma prostituta assassinada com uma letra P desenhada a faca no rosto. Mas essa premissa é fraca se comparada com a obra como um todo. O lado negro do Rio de Janeiro é retratado de forma atemporal e bem fiel. Para um leitor carioca, a história vai facilmente passar pela cabeça como um filme.

Personagens fortes, distintos e cheios de atitude pipocam pelo livro. A luz do holofote esta sobre Mandrake, lógico! Mas outras personagens como o milionário Thales, o anão negro “Nariz de Ferro”, o boliviano Camilo Fuentes ou o habilidoso Hermes deixam a obra muito bem temperada!

Tem bastante violência e sexo (dois requisitos essenciais nas obras de Rubem Fonseca). A arte do PERCOR dá o tom na violência e as namoradas simultâneas de Mandrake condimentam o sexo.

Para incautos fãs ou ignorantes ou preguiçosos, o livro foi tão aclamado no Brasil e lá fora, que foi adaptado para o cinema pelo nosso Walter Salles em 1991, com o roteiro escrito (e reescrito mais de vinte vezes) por Rubem Fonseca. É considerado um dos filmes mais caros do cinema brasileiro – cinco milhões de dólares!

Lógico que no filme muda tudo, o malandríssimo advogado Mandrake, vira o fotografo com cara de bobalhão Peter Mandrake, que vai investigar o assassinato de uma amiga prostituta. Nunca vi o filme, mas a premissa e o elenco global me deixam com um “carrapato” atrás da orelha. Está na lista junto com a minissérie Agosto.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Agosto


Agosto

Rubem Fonseca
Edição: 1
Editora: Companhia das Letras
Ano: 1990
Páginas: 352

Este foi o primeiro livro que li do mineiro “acariocado” e recluso. A historia gira em torno do atentado contra o jornalista Carlos Lacerda na rua Tonelero e dos acontecimentos subseqüentes que ocorreram em agosto de 1954.

Com toda certeza essa é uma das melhores obras de Rubem Fonseca. Não é só um romance investigativo, mas também uma ótima ficção histórica. A trama é bem construída, os diálogos são inteligentes e os personagens excelentes – com um destaque especial para o protagonista sombrio, conflituoso e sofredor, o Comissário Matos.

Retratando o clima sinistro do Rio de Janeiro da década se 50 – uma capital cheia de corrupções, marginais, falcatruas e violência – o livro tem um final com uma parte esperada e bem retratada e uma outra parte  surpreedente que é daquelas que você lê e fala “PUTA QUE PARIU, como assim?”, e relê pra vê se aconteceu aquilo mesmo.

E você com certeza ainda vai ficar triste achando que 350 paginas foi pouco!

Pra quem não sabe, ou é um desses preguiçosos que prefere ver filme ao invés de ler, tem a adaptação que a Globo fez em 1993. A minissérie Agosto faz uma excelente reconstrução  da época e reune um dos melhores e maiores elencos em uma produção (dessa emissora) que realmente preste.

Eu lembro muito pouco da série, até mesmo porque só vi mesmo em 1995 e minha memória do que assisti com 10 anos é meio falha. Mas a música triste e pesada, o clima sombrio e de época, além das cenas de violência e putaria ficaram bem gravadas em um cantinho do meu HD.

Vou tentar arranjar para rever.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Rubem Fonseca



Galera, eu me forcei muito a escrever. E ainda assim, só o fiz porque é aniversário do Rubem Fonseca. A falta de criatividade e um grande bloqueio me impedem de escrever algo realmente digno ao célebre autor.

Mas como deixar a data em branco iria ser um sacrilégio maior, fiz o que pude!

Afinal, juntamente com Agatha Christie, Bernard Cornwell e Michael Chricton ele é um dos autores que tenho como meta ler todos os livros publicados.

***

José Rubem Fonseca nasceu no dia 11 de maio de 1925 em Juiz de Fora, Minas Gerais. Graduou-se em Ciências Jurídicas e Sociais na Faculdade Nacional de Direito da então Universidade do Brasil – a atual UFRJ.

Zé Rubens exerceu várias atividades jurídicas antes de se dedicar de corpo, alma e caneta à literatura. Diz-se que seus colegas não sabiam de sua aptidão literária, mas seu brilhantismo no direito era reconhecido por muitos.

Quando tinha 27 anos tornou-se comissário de polícia em São Cristovão, no Rio de Janeiro. A experiência que viveu ali, juntamente com as histórias e fatos que escutou e vivenciou foram imortalizados em suas obras.

Trabalhou pouco nas ruas. Ficou a maior parte do tempo como Oficial de Gabinete e cuidando do serviço de Relações Públicas.

Segundo seus colegas, o autor atuava mais como Juiz de Paz do que como autoridade. Possuindo habilidades notáveis em psicologia, Rubem Fonseca via sob as definições legais, as tragédias humanas e assim, conseguia as resolver litígios fácil e pacificamente.

Após sair da polícia em 1958, Zé Rubens trabalhou na Light até se dedicar integralmente à literatura.

As suas obras retratam, com um estilo seco e direto, muito da luxúria e da violência urbana, em espaço onde marginais, assassinos, prostitutas, delegados e pessoas normais se misturam.

O romance histórico com requintes de ficção é também uma marca de Rubem Fonseca, como em Agosto, O Selvagem da Ópera, ou ainda em Vastas Emoções e Pensamentos Imperfeitos, explora o suicídio de Getulio Vargas, a vida de Carlos Gomes e a Cavalaria Vermelha de Isaac Babel, respectivamente.

Célebres protagonistas foram criados para seus contos e romances. O mais famoso deles é o advogado Mandrake, malandro, mulherengo, cínico, amoral e com um forte instinto de sobrevivência no submundo do Rio de Janeiro. A HBO criou uma série para este personagem, interpretado por Marcos Palmeira, com roteiros de José Henrique Fonseca, um dos três filhos de Zé Rubens.

Reconhecidamente o autor adora o anonimato. Ele é descrito por amigos como pessoa simples, afável e de ótimo humor.

Ao longo de sua carreira, recebeu inúmeros prêmios literários, e muitos de seus livros receberam premiações no exterior. Em 2003, ganhou o Prêmio Camões, o mais prestigiado laurel literário para a língua portuguesa.

Sendo profundamente interessado na arte cinematográfica, Rubem Fonseca também escreve roteiros para filmes, alguns até premiados na Europa. Contudo seus filmes não são muito valorizados por aqui e nada fáceis de se achar.

Rubem Fonseca é viúvo de Théa Maud e tem três filhos: Maria Beatriz, José Alberto e o cineasta José Henrique Fonseca.

Possui mais de 20 livros publicados e recentemente fez uma aparição em público, com grande repercussão na mídia, quando foi prestigiar sua pupila Paula Parisot no lançamento de seu novo romance "Gonzos e Parafusos" em São Paulo.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Lucia McCartney


Lucia McCartney

Rubem Fonseca
Edição: 1
Editora: Agir
Ano: 2009
Páginas: 240

É  o terceiro livro de Rubem Fonseca, e como os outros dois é uma reunião de contos. Mais uma vez o autor tece as histórias, com uma linguagem irônica e angustiada, sobre um ambiente cosmopolita cheio de ameaças e seduções.

Há grandes contos, como o da garota de programas que se apaixona por um cliente, ou o do obstinado boxeador que esgota suas forças num combate de vida ou morte, ou ainda a primeira aparição do advogado e malandro Mandrake. Porém mais para o final do livro há contos (pelo menos estes são bem pequenos!) que beiram o nonsense ilógico ou que misturam de forma confusa inglês, português e francês.

Vale a pena dar um conferida!

Nota: 7,0



quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Os Prisioneiros

Os Prisioneiros

Rubem Fonseca

Edição: 1
Editora: Agir
Ano: 2009
Páginas: 173

Não há como negar que Rubem Fonseca tem um estilo impactante. E o autor demonstra seu inusitado estilo desde este primeiro livro, publicado em 1963. O "alfarrabio" possui 11 contos que têm o tema explicitado por sua própria epígrafe: “Somos prisioneiros de nós mesmo. Nunca se esqueça disso, e de que não há fuga possível” – Lao Tsé.

O incrível é que mais de 40 anos depois, os contos continuam extremamente contemporâneos. Essa uma das grandes qualidades de Rubem Fonseca, a universalidade de suas obras. Por exemplo, no primeiro conto, “Fevereiro ou Março”, vemos um bando de marombeiros descendo o cacete em um bloco carnavalesco.

Um livro pequeno que dá para ler em uma tarde chuvosa, ou em uma livraria escondido. Não há um padrão nos estilos de condução da história, como por exemplo, o desabafo em uma mesa de bar em “Gazela”, ou o dialogo com a namorada em “Curriculum Vitae”. Contudo, o que vale a pena é ater-se a semântica do tipo de encarceramento em que cada personagem se encontra.

Desde o primeiro livro que li de Rubem Fonseca fui conquistado pela a violência urbana paralela ao erotismo que permeiam suas historias. Definitivamente “O inimigo”, último e maior conto da obra, foi o que eu mais gostei. Em seguida vem o "Conformista Incorrigível" e "Os Prisioneiros".

O ruim do livro é mais uma opinião minha sobre o autor do que um defeito propriamente dito. As personagens e cenários apesar de serem muito bem construídos são efêmeros, o que deixa o final com um gostinho de quero mais... É mais uma qualidade do que um defeito!

Certa vez eu li que você percebe que leu um bom livro quando ao terminá-lo vem a sensação da perda de um amigo. Pois todos em todos os romances que li de Rubem Fonseca perdi grandes amigos, colegas e conhecidos, alguns só de vista.

OBS: Tenho certeza que todo mundo já leu o microconto “O Agente”!

Nota: 8,0